O Eclesiastes e o Existencialismo: Por que ter tudo nunca é suficiente?

Descanso na sociedade cansaço

"Vaidade de vaidades, diz o Pregador; vaidade de vaidades, tudo é vaidade."

"O homem está condenado a ser livre; porque, uma vez lançado ao mundo, é responsável por tudo quanto fizer."

Imagine chegar ao topo da montanha que você passou a vida inteira escalando, apenas para descobrir que não há nada lá em cima além de vento frio e silêncio. Esse é o sentimento que assombra o homem moderno. Vivemos na era da abundância, temos acesso a todo o conhecimento e entretenimento do mundo na palma da mão, e ainda assim, uma pergunta persiste no silêncio da madrugada: “Qual é o sentido disso tudo?”

A filosofia moderna, especialmente através dos existencialistas como Sartre e Camus, olhou para esse abismo e chamou-o de “Absurdo”. Para eles, o universo é indiferente. Não há um manual de instruções, nem um propósito pré-definido. Estamos “condenados à liberdade”, forçados a inventar nosso próprio sentido em um mundo mudo. É um fardo pesado demais para qualquer ombro humano carregar.

Ilustração surrealista de uma estátua humana com um vazio no peito preenchido por uma galáxia, representando a busca por sentido e a eternidade no coração do homem.

Curiosamente, séculos antes de Sartre, um rei sábio em Jerusalém fez a mesma investigação. Salomão, o provável autor de Eclesiastes, não era um pessimista de poltrona; ele era um empirista. Ele testou tudo: riqueza extrema, prazeres sensoriais, grandes construções, sabedoria intelectual. A conclusão do seu experimento? Hebel. Uma palavra hebraica muitas vezes traduzida como “vaidade”, mas que significa literalmente “fumaça” ou “neblina”. Tente segurar a fumaça com as mãos; ela parece real, mas escorrega entre os dedos. Assim são as coisas “debaixo do sol”.

O ponto de encontro entre a fé e a filosofia aqui é a admissão do vazio. Ambos concordam que as coisas finitas (dinheiro, sucesso, prazer) não preenchem a alma. Mas onde o filósofo ateu vê desespero, o teólogo vê uma pista.

C.S. Lewis dizia que se encontramos em nós um desejo que nada neste mundo pode satisfazer, a explicação mais provável é que fomos feitos para outro mundo. O vazio que sentimos não é um defeito de fábrica; é uma bússola. A angústia existencial é, na verdade, a saudade de casa. Salomão conclui que Deus “pôs a eternidade no coração do homem” (Eclesiastes 3:11). O buraco é do tamanho do infinito porque fomos feitos para o Infinito. Tentar preenchê-lo com coisas finitas é como tentar encher o Grand Canyon com bolinhas de gude.

A resposta para o vazio não é criar um sentido artificial para a vida, mas descobrir Aquele que é o próprio Sentido (o Logos). A vida deixa de ser “vaidade” quando deixamos de viver apenas “debaixo do sol” e conectamos nossa rotina Àquele que está acima dele.

Aplicação Prática

Nesta semana, faça o teste da "Fumaça":

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